Sou assim
Edna Feitosa

 

Sou aquela trave
Que lacra a porta
E impede a ida
Sou a espinha sutil
Na garganta desavisada
Sou o caminho escolhido
A passagem mais larga
A senda estreita
A lágrima avulsa
O sorriso fácil
A palavra de afeto
O choro indevido
O carinho indiscreto
O gemido na noite
O silêncio letal
Sou a justificativa vã
A entrega sã
A lamparina acesa
O clarão na mata
A dor reprimida
O tango sonhado
Sou mulher direita
Em tortas feminilidades
Sou anjo exilado
Águia de asa quebrada
Viola sem tocador
Violeira sem cordas
Sou seresta na madrugada
Bolo de milho e queijo fresco
Pão na folha de bananeira
Pés descalços no chão
Sou chuva na esquina
Batom de menina
Ramo de margaridas
Cheiro de alecrim
Sou a pergunta
Que não carece resposta
E a resposta definitiva
De minhas íntimas perguntas!


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Formatado por Lucia Trigueiro