Sou poeta, sou assim!
Humberto - Poeta

 


Na tua fala discreta,
tens razão no teu clamor
quando dizes que um poeta
exige muito do amor.

Como amante incorrigível,
é mui justo e natural
exija um amor sensível
que fuja ao convencional.

E ao cerrar de uma cortina,
aquele abraço em penumbra...
chorar de um tango em surdina,
para o instante que o deslumbra!

Sentir no peito incendido,
do céu os extremos confins,
ao ter juntinho do ouvido
débeis "nãos" dizendo "sins".

Haurir das sedas o frolo
da saia erguida em viés...
desde o alvor do níveo colo
à cútis rósea dos pés!

Que as mãos do poeta sondem
fofas e tépidas sendas...
pra desvelar o que escondem
finas sedas e alvas rendas!

Mas pra conter seu ardor,
só de uma coisa precisa:
daquele intenso furor
com que ama uma poetisa!


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Formatado por Lucia Trigueiro