SOU O QUE TU ÉS
Manuela Silva Neves

 

Sou o que tu és
mesmo que não queiras
e me calques a teus pés.

Sou a tua raiva, espumando fúria
como as altas marés.
Sou a tua loucura de seres homem.
Sou o veneno que te prende o pensamento
pelo mal que não fizeste.
Sou o desejo que sentiste e satisfizeste.
Sou o teu dia à dia
Triste e fatigado.
Sou a hora "X" de ar sem vida.
Sou o teu gesto, o teu espírito,
A tua carne morta ou palpitante.

Mas sou o que tu és
mesmo que não queiras
e me calques a teus pés.

Sou o presente, o passado e o futuro.
Sou a alegria, da tua juventude.
Sou o teu Outono, tranquilo e manso.
Sou o teu pesadelo e o teu sonho.
Sou a tua vontade e a tua força.
Sou ela e todas as que tomares.
Sou a tua sombra e o teu corpo
em união consumada.
Sou a tua boca de desejo fatigada.
Sou o teu reverso,
no momento da verdade.
Serei a tua vontade.

Mas sou o que tu és
mesmo que não queiras
e me calques a teus pés.

Quero matar a tua escuridão.
Quero ser a tua solidão.


 

E-mail da Autora
Lisboa - Portugal

 

Formatado por Lucia Trigueiro